Esse é o prefácio dos Marotos (Tiago Potter e Sirius Black). Passa-se antes dos livros de Harry Potter. Esse manuscrito, de cerca de 800 palavras, foi recentemente leiloado para caridade. O valor? Vinte e sete mil libras!
A tradução é do site Potterish.
HARRY POTTER
A história dos Marotos
Waterstone’s ~ JK Rowling
11 de junho de 2008
Tradução: Eduardo Andrade
A motocicleta fez a curva acentuada tão rápido na escuridão que ambos os policiais no carro de perseguição gritaram “Uou!”. O Sargento Fisher forçou seu enorme pé no freio, pensando que o garoto que estava no banco de trás com certeza seria atropelado para baixo de suas rodas; porém, a motocicleta fez a curva sem derrubar nenhum de seus ocupantes, e com uma piscada da sua luz traseira vermelha, desapareceu na apertada rua lateral.
― Pegamos eles agora! - exclamou animado o agente da polícia Anderson. - Isso é um beco sem saída!
Segurando forte na direção e enfrentando seus medos, Fisher destruiu metade da pintura da lataria ao forçar o carro pelo beco na perseguição.
Lá sob a luz dos faróis estava sentada a presa, parada finalmente após um quarto de hora de fuga. Os dois motoristas estavam presos entre uma alta parede de tijolos e o carro da polícia, que agora estava se aproximando deles como um predador rosnando, de olhos luminosos.
Havia tão pouco espaço entre as portas do carro e as paredes do beco que Fisher e Anderson tiveram dificuldade em se soltar do veículo. Feria a dignidade ter que se arrastar, que nem um siri, até os malfeitores. Fisher puxava sua generosa barriga pela parede, arrancando botões de sua camisa enquanto ia, e finalmente arrancando o espelho retrovisor com sua parte traseira.
― Saiam da moto! - ele gritou para os jovens com risos de desdém, que estavam sentados confortáveis na brilhante luz azul como se estivessem aproveitando.
Eles fizeram o que foram mandados. Finalmente se livrando do espelho retrovisor quebrado, Fisher os encarou. Eles pareciam estar no fim da adolescência. O que esteve dirigindo tinha um longo cabelo preto; sua boa aparência insolente desagradavelmente lembrava a Fisher o namorado vagabundo e guitarrista de sua filha. O segundo garoto também tinha cabelo preto, mas esse era curto e espetado em todas as direções; ele usava óculos e tinha um largo sorriso. Ambos estavam vestindo camisetas com o emblema de um grande pássaro dourado; o emblema, sem dúvida, de alguma banda de rock desafinada e ensurdecedora.
― Sem capacetes! - gritou Fisher, apontando de uma cabeça descoberta para a outra. - Ultrapassando o limite de velocidade por… por uma quantia considerável! - De fato, a velocidade registrada tinha sido maior do que Fisher poderia considerar qualquer motocicleta capaz de viajar. - Não parando para a polícia!
― Nós amaríamos parar para uma conversa, - disse o garoto de óculos. - mas é que nós estávamos tentando…
― Não se faça de esperto, vocês dois estão em uma baita encrenca! - rosnou Anderson. - Nomes!
― Nomes? - repetiu o motorista de cabelos compridos. - Er… bem, vamos ver. Existe Wilberforce… Bathsheba… Elvendork…
― E o é legal desse aí é que você pode usá-lo para um garoto ou uma garota - disse o garoto de óculos.
― Ah, os nossos nomes, você quis dizer? - perguntou o primeiro, quando Anderson balbuciou com aspereza. - Você deveria ter falado! Esse aqui é Tiago Potter, e eu sou Sirius Black!
― As coisas estarão seriamente pretas para você em um minuto, seu insolentezinho…
Mas nem Tiago nem Sirius prestavam atenção. Eles estavam de repente tão alertas quanto cães de caça, encarando algo atrás de Fisher e Anderson, acima do teto do carro policial, na entrada escura do beco. Então, com movimentos fluidos idênticos, eles colocaram as mãos em seus bolsos traseiros.
No espaço de um batimento do coração, os dois policiais imaginaram armas brilhando na direção deles, mas um segundo depois eles viram que os motociclistas tinham retirado nada mais do que…
― Baquetas? - ironizou Anderson. - Um par de piadistas vocês, não são? Certo, estamos prendendo vocês sob a acusação de…
Mas Anderson nunca chegou a nomear a acusação. Tiago e Sirius tinham gritado algo incompreensível, e os raios de luz dos faróis se moveram.
Os policiais giraram em volta e depois caíram de costas. Três homens estavam voando - realmente voando - pelo beco em vassouras - e no mesmo momento o carro de polícia estava se apoiando em suas rodas traseiras.
Os joelhos de Fisher falharam; ele sentou com força. Anderson tropeçou nas pernas de Fisher e caiu sobre ele, enquanto ‘flãmp’ - ‘bárp’ - ‘cranche’ - eles ouviram os homens nas vassouras baterem no carro levantado e despencarem, aparentemente inconscientes, no chão, enquanto pedaços quebrados de vassouras caíam ao redor deles.
A moto tinha ganhado vida de novo. Com sua boca entreaberta, Fisher dominou a força para olhar de volta aos dois adolescentes.
― Muito obrigado! - disse Sirius acima do ronco do motor. - Nós devemos uma para vocês!
― É, foi legal conhecê-los! - disse Tiago. - E não esqueçam: Elvendork! É unissex!
Houve um barulho de tremer a terra, e Fisher e Anderson jogaram seus braços ao redor um do outro com medo; o carro deles tinha acabado de cair de volta ao chão. Agora era a vez da motocicleta levantar. Em frente aos olhos descrentes dos policiais, ela andou em pleno ar: Tiago e Sirius decolaram no céu noturno, com o facho da luz traseira brilhando atrás deles como um rubi desaparecendo.
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quarta-feira, 11 de junho de 2008
segunda-feira, 9 de junho de 2008
sábado, 7 de junho de 2008
quarta-feira, 28 de maio de 2008
MGM quer mais ROCKY BALBOA
Direto do Omelete:
Estúdio parece disposto a espremer o que resta das suas franquias
28/05/2008
Marcelo Hessel
A MGM está mesmo disposta em dar um novo gás nas suas franquias. Durante o Festival de Cannes, a nova presidente do estúdio, Mary Parent, deu uma coletiva para falar de projetos futuros - e além de James Bond, da volta de RoboCop, da continuação de A Pantera Cor de Rosa, do novo Thomas Crown e do remake de Fama, eles querem mais Rocky.
Não é nada concreto. Parent disse que a MGM ainda está cogitando essa idéia, e não disse se o eventual sétimo filme teria a volta de Sylvester Stallone ou se o Garanhão Italiano passaria o cinturão definitivamente. Entusiasmada, querendo mostrar serviço, a presidente perguntou quem dos presentes na coletiva gostaria de ver mais Rocky. Ouviu algumas respostas empolgadas.
Stallone já disse em entrevista que Rocky Balboa foi o último da série.
Estúdio parece disposto a espremer o que resta das suas franquias
28/05/2008
Marcelo Hessel
A MGM está mesmo disposta em dar um novo gás nas suas franquias. Durante o Festival de Cannes, a nova presidente do estúdio, Mary Parent, deu uma coletiva para falar de projetos futuros - e além de James Bond, da volta de RoboCop, da continuação de A Pantera Cor de Rosa, do novo Thomas Crown e do remake de Fama, eles querem mais Rocky.
Não é nada concreto. Parent disse que a MGM ainda está cogitando essa idéia, e não disse se o eventual sétimo filme teria a volta de Sylvester Stallone ou se o Garanhão Italiano passaria o cinturão definitivamente. Entusiasmada, querendo mostrar serviço, a presidente perguntou quem dos presentes na coletiva gostaria de ver mais Rocky. Ouviu algumas respostas empolgadas.Stallone já disse em entrevista que Rocky Balboa foi o último da série.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Indiana Jones e a Saga Final
Hoje à noite, no HISTORY CHANNEL, irá passar o especial "Indiana Jones and the Ultimate Quest" (Indiana Jones e a Saga Final).
Descrição direto do site oficial:
Ao longo da história existiram objetos que têm chamado a atenção dos aventureiros. Houve até aqueles que dedicaram vidas inteiras à sua descoberta, e entre eles está Indiana Jones, professor de arqueologia e um especialista aventureiro que tomou parte em alguns dos mais importantes achados da história. Mas o Dr. Jones é um personagem fictício e por isso as pessoas pensam que os objetos que ele procura também são produto da imaginação de Hollywood. Será que existem na realidade estes objetos?
Quando: Segunda-feira, 26 de Maio de 2008
Horário: 21h (horário de Brasília)
Descrição direto do site oficial:
Ao longo da história existiram objetos que têm chamado a atenção dos aventureiros. Houve até aqueles que dedicaram vidas inteiras à sua descoberta, e entre eles está Indiana Jones, professor de arqueologia e um especialista aventureiro que tomou parte em alguns dos mais importantes achados da história. Mas o Dr. Jones é um personagem fictício e por isso as pessoas pensam que os objetos que ele procura também são produto da imaginação de Hollywood. Será que existem na realidade estes objetos?
Quando: Segunda-feira, 26 de Maio de 2008
Horário: 21h (horário de Brasília)
Lenda do Santo Graal é mera invenção da Idade Média, dizem especialistas
Ainda no clima "Indiana Jones":
por Reinaldo José Lopes (G1)
Até século 12, cálice da Santa Ceia não era famoso; poetas deram início à saga.
Trama de 'Código da Vinci' envolvendo Graal mistura fraudes e erros históricos.
A lenda do Santo Graal virou, nos últimos tempos, uma espécie de ímã para quase todo tipo de lixo cultural e teorias estapafúrdias. Por isso, é bom colocar as coisas em pratos limpos: o famoso objeto não tem absolutamente nada a ver com Maria Madalena, com os Cavaleiros Templários ou com a sociedade secreta fictícia conhecida como Priorado de Sião. E, aliás, o Graal também não tem nada a ver com Jesus Cristo.
A existência de um suposto cálice milagroso onde o sangue do Messias crucificado teria sido recolhido não passa de uma invenção do fim da Idade Média – uma história bolada pelo poeta mais famoso da Europa no século 12 e, desde então, aumentada por uma fieira de autores posteriores. A lenda do Graal fez muito sucesso em sua época simplesmente por juntar numa só trama as duas grandes paixões do público medieval: cavalaria e fé cristã. E foi sendo repaginada de acordo com as preocupações dos séculos posteriores – inclusive as teorias da conspiração tão populares no começo do século 21.
No princípio era a Ceia
Poucos historiadores hoje duvidam de que Jesus e seus apóstolos realmente celebraram uma ceia derradeira antes que Cristo fosse morto a mando das autoridades romanas e judaicas. Os Evangelhos narram como o grupo comeu pão e bebeu vinho durante a cerimônia. Sabemos até como era a bebida servida nessa época.
“Em todo o Mediterrâneo de então, ninguém bebia vinho puro, mas sim diluído em água”, conta Francisco Marshall, historiador da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). “É que, com as condições precárias de fabricação e preservação da bebida, ou o vinho era uma espécie de vinagre, uma coisa muito ruim, ou então algo muito forte”, diz Marshall. “O jeito, então, era diluí-lo e, se possível, colocar nele algumas ervas aromáticas para melhorar o sabor.”
Ainda quanto às condições materiais do suposto Graal, podemos dizer que Indiana Jones estava certo – ao menos num quesito. No filme “Indiana Jones e a Última Cruzada”, o arqueólogo escolhe “o cálice de um carpinteiro”, feito de madeira e de aparência humilde, como o verdadeiro Graal. De fato, judeus das camadas populares como Jesus provavelmente bebiam em recipientes feitos de cerâmica ou madeira. Pareciam simples cuias, como os oriundos da região de Qumran, no mar Morto, retratados no início desta reportagem.
No entanto, é muito pouco provável que os utensílios de mesa utilizados por Jesus e seus companheiros em sua refeição final juntos tenham sido preservados. Para começar, como afirma o próprio Novo Testamento, a sala onde a ceia aconteceu era alugada. Além disso, o hábito de guardar relíquias relacionadas a figuras religiosas importantes começou relativamente tarde entre os cristãos – cerca de um século após a morte de Jesus. Para os primeiros seguidores de Cristo, o importante não era preservar seus objetos pessoais, mas sim espalhar sua palavra.
Cálice exibido em Valência, na Espanha, como o usado na Santa Ceia; na verdade, parte do objeto data do começo da Idade Média e as alças foram adicionadas depois (Foto: Reprodução)
Quem conta um conto...
No entanto, conforma a nova religião evoluía, os fiéis sentiam faltas de descrições mais detalhadas da vida e da morte de Jesus, diante da narrativa muitas vezes lacônica dos Evangelhos canônicos (os quatro “oficiais” incluídos no Antigo Testamento). Surgiram então histórias tardias, de caráter popular, como o chamado Evangelho de Nicodemos, que data do fim do século 4 de nossa era.
A obra narra com mais detalhes como os nobres judeus José de Arimatéia e Nicodemos deram um enterro digno ao corpo de Jesus antes de sua ressurreição, e como um soldado romano chamado Longino feriu o tórax de Cristo com uma lança. Logo começaram a circular lendas sobre as relíquias do Sangue Santo – o sangue que José de Arimatéia e Nicodemos teriam recolhido do corpo de Jesus – e sobre a lança de Longino, dois elementos que voltariam na história do Santo Graal.
A pré-história da lenda estava mais ou menos nesse pé quando entrou em cena um escritor francês chamado Chrétien de Troyes. Ninguém sabe exatamente de onde Chrétien de Troyes tirou a inspiração para dar o passo seguinte no desenvolvimento da lenda, por volta do ano 1180. O poeta do norte da França já fazia sucesso com histórias sobre os cavaleiros da Távola Redonda, especialmente Lancelote, o mais valoroso deles. É então que ele decide escrever uma nova saga sobre Percival, um jovem nobre que perde o pai muito cedo e é criado longe da civilização pela mãe.
“Percival é uma espécie de bom selvagem, não sabe se comportar em sociedade por ter sido criado no meio da mata”, afirma José Rivair Macedo, especialista em história medieval da UFRGS. O rapaz encontra um grupo de cavaleiros na floresta e fica tão fascinado por eles que pede à mãe para se tornar cavaleiro também. Parte para o corte do rei Arthur, consegue seu desejo e parte pelo mundo em busca de aventuras.
“Uma coisa tão santa”
E é aí que o Graal finalmente entra em cena. Percival chega ao castelo de um nobre conhecido como Rei Pescador, onde ele presencia uma cerimônia que ficaria conhecida como a procissão do Graal: uma lança que sangra (alguém se lembrou da lança de Longino?) e “um graal” - a palavra é usada de modo genérico por Chrétien.
“A tradução mais correta para o português seria escudela”, diz Macedo, referindo-se a uma espécie de prato comprido e relativamente fundo – uma travessa, diríamos hoje – usada para servir peixes ou carnes. Ironia das ironias: o Graal original não é um cálice, mas um prato! Chrétien dá a atender que “o graal” carregava uma única hóstia, que servia de alimento para o pai do Rei Pescador, gravemente ferido.
Diversos eventos misteriosos fazem com que Percival deixe o castelo do Rei Pescador e encontre um eremita. O monge conta ao cavaleiro que o Graal é “uma coisa muito santa” (tante sainte chose, no dialeto francês medieval de Chrétien)... e a história termina aí, sem final. Há quem ache que Chrétien tenha morrido antes de concluí-la.
Foi justamente graças a essa ponta solta que a criatividade dos autores que vieram depois de Chrétien pode correr solta. Para o medievalista britânico Richard Barber, autor do livro “O Santo Graal – A História de Uma Lenda”, os autores juntaram o mistério do Graal de Chrétien com o Evangelho de Nicodemos e as imagens religiosas da época para sugerir que, na verdade, a “coisa muito santa” era o prato (ou o cálice) onde José de Arimatéia e Nicodemos teriam recolhido o sangue de Jesus.
Cavaleiro puro
Em parte graças aos personagens da Távola Redonda que agora faziam parte da história, a saga do Graal passou a fazer enorme sucesso. Nas cinco décadas depois da morte de Chrétien, surgiram 18 continuações da história de Percival, com vários autores diferentes. A maioria delas incluía um novo cavaleiro, Galahad, filho de Lancelote, um guerreiro casto e puro que se unia a Percival e a outros homens da Távola Redonda para encontrar o Graal. Com isso, eles seriam capazes de curar o pai ferido do Rei Pescador, salvando o reino dele da destruição, e encontrar a iluminação.
De acordo com Barber, embora as histórias incorporem alguns elementos da mitologia celta, seu pano de fundo é basicamente cristão. O Graal funciona como um símbolo da Eucaristia, o sacramento da transformação do pão e do vinho no corpo e no sangue de Cristo. Beber (ou comer) do objeto restaura a saúde do soberano ferido e, de quebra, leva Galahad direto para o Paraíso – exatamente os atributos que a doutrina da Eucaristia dá a esse sacramento.
O curioso é que, com a popularidade do Graal, várias igrejas da Europa passaram a reivindicar a posse do cálice usado por Cristo na Última Ceia. Dois exemplos estão em Valência, na Espanha, e Gênova, na Itália (em ambos os casos, o mais provável é que sejam objetos de origem árabe, fabricados no começo da Idade Média). Um objeto descoberto na Síria no começo do século 20, conhecido como cálice de Antioquia, chegou a ser considerado como o Graal original até se descobrir que ele não passava de uma lâmpada a óleo, também do começo da Idade Média.
Conhecido como "cálice de Antioquia" e também associado ao Santo Graal, este objeto na verdade é uma antiga lâmpada a óleo (Foto: Reprodução)
Código da bobagem
A lenda do Graal andou em baixa do fim do século 16 até o começo do século 19, quando um interesse renovado pela cultura da Idade Média surgiu no Ocidente. No entanto, sua máxima popularidade recente certamente se deve ao livro “O Código Da Vinci”, que afirma que o Santo Graal na verdade seria o sang real – o “sangue real” dos filhos de Jesus com Maria Madalena, que teriam migrado para a França no começo da Era Cristã e sido protegidos ao longo dos séculos pelo chamado Priorado de Sião.
Tudo isso não passa de um imenso engodo, usado pelo escritor americano Dan Brown (e outros antes dele) para aumentar a popularidade de seus livros. Primeiro, as evidências de que Jesus e Maria Madalena tenham casado e tido filhos são nulas (assim como as de uma suposta viagem dela para a França). O Priorado de Sião é uma fraude criada por um vigarista francês no século 20. E a expressão sang real é só uma leitura equivocada da expressão san greal, “Santo Graal”, por alguns escritores do século 15.
por Reinaldo José Lopes (G1)
Até século 12, cálice da Santa Ceia não era famoso; poetas deram início à saga.
Trama de 'Código da Vinci' envolvendo Graal mistura fraudes e erros históricos.
A lenda do Santo Graal virou, nos últimos tempos, uma espécie de ímã para quase todo tipo de lixo cultural e teorias estapafúrdias. Por isso, é bom colocar as coisas em pratos limpos: o famoso objeto não tem absolutamente nada a ver com Maria Madalena, com os Cavaleiros Templários ou com a sociedade secreta fictícia conhecida como Priorado de Sião. E, aliás, o Graal também não tem nada a ver com Jesus Cristo.A existência de um suposto cálice milagroso onde o sangue do Messias crucificado teria sido recolhido não passa de uma invenção do fim da Idade Média – uma história bolada pelo poeta mais famoso da Europa no século 12 e, desde então, aumentada por uma fieira de autores posteriores. A lenda do Graal fez muito sucesso em sua época simplesmente por juntar numa só trama as duas grandes paixões do público medieval: cavalaria e fé cristã. E foi sendo repaginada de acordo com as preocupações dos séculos posteriores – inclusive as teorias da conspiração tão populares no começo do século 21.
No princípio era a Ceia
Poucos historiadores hoje duvidam de que Jesus e seus apóstolos realmente celebraram uma ceia derradeira antes que Cristo fosse morto a mando das autoridades romanas e judaicas. Os Evangelhos narram como o grupo comeu pão e bebeu vinho durante a cerimônia. Sabemos até como era a bebida servida nessa época.
“Em todo o Mediterrâneo de então, ninguém bebia vinho puro, mas sim diluído em água”, conta Francisco Marshall, historiador da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). “É que, com as condições precárias de fabricação e preservação da bebida, ou o vinho era uma espécie de vinagre, uma coisa muito ruim, ou então algo muito forte”, diz Marshall. “O jeito, então, era diluí-lo e, se possível, colocar nele algumas ervas aromáticas para melhorar o sabor.”
Ainda quanto às condições materiais do suposto Graal, podemos dizer que Indiana Jones estava certo – ao menos num quesito. No filme “Indiana Jones e a Última Cruzada”, o arqueólogo escolhe “o cálice de um carpinteiro”, feito de madeira e de aparência humilde, como o verdadeiro Graal. De fato, judeus das camadas populares como Jesus provavelmente bebiam em recipientes feitos de cerâmica ou madeira. Pareciam simples cuias, como os oriundos da região de Qumran, no mar Morto, retratados no início desta reportagem.
No entanto, é muito pouco provável que os utensílios de mesa utilizados por Jesus e seus companheiros em sua refeição final juntos tenham sido preservados. Para começar, como afirma o próprio Novo Testamento, a sala onde a ceia aconteceu era alugada. Além disso, o hábito de guardar relíquias relacionadas a figuras religiosas importantes começou relativamente tarde entre os cristãos – cerca de um século após a morte de Jesus. Para os primeiros seguidores de Cristo, o importante não era preservar seus objetos pessoais, mas sim espalhar sua palavra.
Cálice exibido em Valência, na Espanha, como o usado na Santa Ceia; na verdade, parte do objeto data do começo da Idade Média e as alças foram adicionadas depois (Foto: Reprodução)Quem conta um conto...
No entanto, conforma a nova religião evoluía, os fiéis sentiam faltas de descrições mais detalhadas da vida e da morte de Jesus, diante da narrativa muitas vezes lacônica dos Evangelhos canônicos (os quatro “oficiais” incluídos no Antigo Testamento). Surgiram então histórias tardias, de caráter popular, como o chamado Evangelho de Nicodemos, que data do fim do século 4 de nossa era.
A obra narra com mais detalhes como os nobres judeus José de Arimatéia e Nicodemos deram um enterro digno ao corpo de Jesus antes de sua ressurreição, e como um soldado romano chamado Longino feriu o tórax de Cristo com uma lança. Logo começaram a circular lendas sobre as relíquias do Sangue Santo – o sangue que José de Arimatéia e Nicodemos teriam recolhido do corpo de Jesus – e sobre a lança de Longino, dois elementos que voltariam na história do Santo Graal.
A pré-história da lenda estava mais ou menos nesse pé quando entrou em cena um escritor francês chamado Chrétien de Troyes. Ninguém sabe exatamente de onde Chrétien de Troyes tirou a inspiração para dar o passo seguinte no desenvolvimento da lenda, por volta do ano 1180. O poeta do norte da França já fazia sucesso com histórias sobre os cavaleiros da Távola Redonda, especialmente Lancelote, o mais valoroso deles. É então que ele decide escrever uma nova saga sobre Percival, um jovem nobre que perde o pai muito cedo e é criado longe da civilização pela mãe.
“Percival é uma espécie de bom selvagem, não sabe se comportar em sociedade por ter sido criado no meio da mata”, afirma José Rivair Macedo, especialista em história medieval da UFRGS. O rapaz encontra um grupo de cavaleiros na floresta e fica tão fascinado por eles que pede à mãe para se tornar cavaleiro também. Parte para o corte do rei Arthur, consegue seu desejo e parte pelo mundo em busca de aventuras.
“Uma coisa tão santa”
E é aí que o Graal finalmente entra em cena. Percival chega ao castelo de um nobre conhecido como Rei Pescador, onde ele presencia uma cerimônia que ficaria conhecida como a procissão do Graal: uma lança que sangra (alguém se lembrou da lança de Longino?) e “um graal” - a palavra é usada de modo genérico por Chrétien.
“A tradução mais correta para o português seria escudela”, diz Macedo, referindo-se a uma espécie de prato comprido e relativamente fundo – uma travessa, diríamos hoje – usada para servir peixes ou carnes. Ironia das ironias: o Graal original não é um cálice, mas um prato! Chrétien dá a atender que “o graal” carregava uma única hóstia, que servia de alimento para o pai do Rei Pescador, gravemente ferido.
Diversos eventos misteriosos fazem com que Percival deixe o castelo do Rei Pescador e encontre um eremita. O monge conta ao cavaleiro que o Graal é “uma coisa muito santa” (tante sainte chose, no dialeto francês medieval de Chrétien)... e a história termina aí, sem final. Há quem ache que Chrétien tenha morrido antes de concluí-la.
Foi justamente graças a essa ponta solta que a criatividade dos autores que vieram depois de Chrétien pode correr solta. Para o medievalista britânico Richard Barber, autor do livro “O Santo Graal – A História de Uma Lenda”, os autores juntaram o mistério do Graal de Chrétien com o Evangelho de Nicodemos e as imagens religiosas da época para sugerir que, na verdade, a “coisa muito santa” era o prato (ou o cálice) onde José de Arimatéia e Nicodemos teriam recolhido o sangue de Jesus.
Cavaleiro puro
Em parte graças aos personagens da Távola Redonda que agora faziam parte da história, a saga do Graal passou a fazer enorme sucesso. Nas cinco décadas depois da morte de Chrétien, surgiram 18 continuações da história de Percival, com vários autores diferentes. A maioria delas incluía um novo cavaleiro, Galahad, filho de Lancelote, um guerreiro casto e puro que se unia a Percival e a outros homens da Távola Redonda para encontrar o Graal. Com isso, eles seriam capazes de curar o pai ferido do Rei Pescador, salvando o reino dele da destruição, e encontrar a iluminação.
De acordo com Barber, embora as histórias incorporem alguns elementos da mitologia celta, seu pano de fundo é basicamente cristão. O Graal funciona como um símbolo da Eucaristia, o sacramento da transformação do pão e do vinho no corpo e no sangue de Cristo. Beber (ou comer) do objeto restaura a saúde do soberano ferido e, de quebra, leva Galahad direto para o Paraíso – exatamente os atributos que a doutrina da Eucaristia dá a esse sacramento.
O curioso é que, com a popularidade do Graal, várias igrejas da Europa passaram a reivindicar a posse do cálice usado por Cristo na Última Ceia. Dois exemplos estão em Valência, na Espanha, e Gênova, na Itália (em ambos os casos, o mais provável é que sejam objetos de origem árabe, fabricados no começo da Idade Média). Um objeto descoberto na Síria no começo do século 20, conhecido como cálice de Antioquia, chegou a ser considerado como o Graal original até se descobrir que ele não passava de uma lâmpada a óleo, também do começo da Idade Média.
Conhecido como "cálice de Antioquia" e também associado ao Santo Graal, este objeto na verdade é uma antiga lâmpada a óleo (Foto: Reprodução)Código da bobagem
A lenda do Graal andou em baixa do fim do século 16 até o começo do século 19, quando um interesse renovado pela cultura da Idade Média surgiu no Ocidente. No entanto, sua máxima popularidade recente certamente se deve ao livro “O Código Da Vinci”, que afirma que o Santo Graal na verdade seria o sang real – o “sangue real” dos filhos de Jesus com Maria Madalena, que teriam migrado para a França no começo da Era Cristã e sido protegidos ao longo dos séculos pelo chamado Priorado de Sião.
Tudo isso não passa de um imenso engodo, usado pelo escritor americano Dan Brown (e outros antes dele) para aumentar a popularidade de seus livros. Primeiro, as evidências de que Jesus e Maria Madalena tenham casado e tido filhos são nulas (assim como as de uma suposta viagem dela para a França). O Priorado de Sião é uma fraude criada por um vigarista francês no século 20. E a expressão sang real é só uma leitura equivocada da expressão san greal, “Santo Graal”, por alguns escritores do século 15.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
"Crânio de cristal" de Paris é falso, para a frustração de Indiana Jones
Ainda no clima "Semana Indiana Jones":
Direto do G1
Segundo cientistas, peça é falsificação da segunda metade do século 19.
Caveira de cristal está no centro da trama do novo filme de Indy no cinema.
A escultura de cristal asteca conhecida como "Crânio de Paris" e pertencente à coleção do Museu de Quai Branly é uma falsificação realizada no século 19, informaram cientistas, o que faz com que o diretor Steven Spielberg possa ter enviado Indiana Jones em busca de uma relíquia falsa.
Em 2007, o Museu de Quai Branly encarregou o Centro de Pesquisas dos Museus da França (C2RMF) de analisar a peça, cuja autenticidade é questionada há tempos.
A conclusão dos cientistas é que se trata de uma criação da segunda metade do século 19.
"A peça não é pré-colombiana, com certeza, apresenta indícios de abrasão realizados com ferramentas modernas", afirmaram Thomas Calligaro e Yvan Coquinot, do C2RMF.
Ao ser analisada mediante um acelerador de partículas, se observa nela uma "película hidratada" (camada de água que penetrou no quartzo), que data do século XIX.
Coincidindo com a estréia do filme "Indiana Jones and the kingdom of the crystal skull" (Indiana Jones e o reino do crânio de cristal), que será apresentada em maio no Festival de Cannes, o Museu de Quai Branly vai expor a peça a partir de 20 de maio, deixando claro que ainda não se sabe com certeza se é uma falsificação.
O Crânio de Paris, escultura de quartzo de grande pureza, com 11 cm de altura e 2,5 kg de peso, é uma das doze peças do mesmo tipo que se encontram espalhados pelo mundo.
Esses crânios de cristal apareceram no mercado de arte europeu no século XIX, apresentados como esculturas pré-colombinas, e provocaram uma curiosidade e um fascínio sem precedentes no mundo da arqueologia.
No total seriam doze em todo o mundo, o que falta saber é se a nova aventura de Indiana Jones não diz respeito à caveira de número 13, que existiria, segundo a lenda, e que, de acordo com o quarto filme da célebre saga de Spielberg, estaria mantida guardada sob sete chaves.
Ainda de acordo com a lenda, os 12 crânios corresponderiam aos 12 mundos habitados com vida humana. Os Itzas, vindos da Atlântida, os trouxeram à Terra e os entregaram aos homens, junto com seus conhecimentos.
No entanto, a Terra, o mais jovem dos mundos habitados por humanos, também teria um crânio, o décimo terceiro. Todos eles foram guardados em uma pirâmide sucessivamente pelos olmecas, maias e aztecas.
Estes teriam sido responsáveis pela disseminação, segundo a lenda que afirma que, caso reunidas, as 13 caveiras teriam poderes maravilhosos, inclusive o de parar o mundo, se alinhadas no último dia do calendário maia, em 12 de dezembro de habitaram 2012. Esta é uma lenda que tem tudo a ver com as proezas do doutor Jones, o arqueólogo aventureiro.
Mas a realidade científica está muito distante da lenda.
O Museu de Quai Branly também informa que outra caveira de cristal, a que pertence ao British Museum de Londres, foi submetida a uma série de analises em 1996 e 2004 e que, apesar das conclusões dessas análises não terem sido publicadas, se sabe que elas tendem ser falsificadas.
A peça em questão teria sido fabricada no sul da Alemanha entre 1867 e 1886 utilizando cristal de rocha brasileiro.
Direto do G1
Segundo cientistas, peça é falsificação da segunda metade do século 19.
Caveira de cristal está no centro da trama do novo filme de Indy no cinema.
A escultura de cristal asteca conhecida como "Crânio de Paris" e pertencente à coleção do Museu de Quai Branly é uma falsificação realizada no século 19, informaram cientistas, o que faz com que o diretor Steven Spielberg possa ter enviado Indiana Jones em busca de uma relíquia falsa.
Em 2007, o Museu de Quai Branly encarregou o Centro de Pesquisas dos Museus da França (C2RMF) de analisar a peça, cuja autenticidade é questionada há tempos.
A conclusão dos cientistas é que se trata de uma criação da segunda metade do século 19.
"A peça não é pré-colombiana, com certeza, apresenta indícios de abrasão realizados com ferramentas modernas", afirmaram Thomas Calligaro e Yvan Coquinot, do C2RMF.
Ao ser analisada mediante um acelerador de partículas, se observa nela uma "película hidratada" (camada de água que penetrou no quartzo), que data do século XIX.
Coincidindo com a estréia do filme "Indiana Jones and the kingdom of the crystal skull" (Indiana Jones e o reino do crânio de cristal), que será apresentada em maio no Festival de Cannes, o Museu de Quai Branly vai expor a peça a partir de 20 de maio, deixando claro que ainda não se sabe com certeza se é uma falsificação.
O Crânio de Paris, escultura de quartzo de grande pureza, com 11 cm de altura e 2,5 kg de peso, é uma das doze peças do mesmo tipo que se encontram espalhados pelo mundo.
Esses crânios de cristal apareceram no mercado de arte europeu no século XIX, apresentados como esculturas pré-colombinas, e provocaram uma curiosidade e um fascínio sem precedentes no mundo da arqueologia.
No total seriam doze em todo o mundo, o que falta saber é se a nova aventura de Indiana Jones não diz respeito à caveira de número 13, que existiria, segundo a lenda, e que, de acordo com o quarto filme da célebre saga de Spielberg, estaria mantida guardada sob sete chaves.
Ainda de acordo com a lenda, os 12 crânios corresponderiam aos 12 mundos habitados com vida humana. Os Itzas, vindos da Atlântida, os trouxeram à Terra e os entregaram aos homens, junto com seus conhecimentos.
No entanto, a Terra, o mais jovem dos mundos habitados por humanos, também teria um crânio, o décimo terceiro. Todos eles foram guardados em uma pirâmide sucessivamente pelos olmecas, maias e aztecas.
Estes teriam sido responsáveis pela disseminação, segundo a lenda que afirma que, caso reunidas, as 13 caveiras teriam poderes maravilhosos, inclusive o de parar o mundo, se alinhadas no último dia do calendário maia, em 12 de dezembro de habitaram 2012. Esta é uma lenda que tem tudo a ver com as proezas do doutor Jones, o arqueólogo aventureiro.
Mas a realidade científica está muito distante da lenda.
O Museu de Quai Branly também informa que outra caveira de cristal, a que pertence ao British Museum de Londres, foi submetida a uma série de analises em 1996 e 2004 e que, apesar das conclusões dessas análises não terem sido publicadas, se sabe que elas tendem ser falsificadas.
A peça em questão teria sido fabricada no sul da Alemanha entre 1867 e 1886 utilizando cristal de rocha brasileiro.
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